A situação da saúde na Guiné-Bissau é deveras preocupante, na medida em que os sucessivos governos nunca se dignaram a dar a atenção adequa...
A situação da saúde na Guiné-Bissau é deveras preocupante, na medida em que os sucessivos governos nunca se dignaram a dar a atenção adequada e necessária ao sector, o que contribui decisivamente para o agravar dos problemas relacionados com o acesso e qualidade do serviço de saúde prestados aos cidadãos guineenses, afirma um relatório da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), divulgado esta quinta-feira, 18 de julho de 2019, em Bissau.
De acordo com o relatório de 107 páginas, as Estruturas Sanitárias funcionam, na generalidade, de uma forma precária e insalubre, tanto no que respeita aos recursos humanos, como a falta de equipamentos e materias.
A escassez de infraestruturas hospitalares funcionais no país associado a falta de eficiência do sistema de atenção primária, contribuiu negativamente no colapso do sistema nacional de saúde, destaca ainda o relatório.
No seu decurso após apresentação do relatório, o presidente da LGDH, Augusto Mário da Silva, fez lembrar as autoridades guineenses que com atual situação da saúde acima apontada não só transforma os estabelecimentos hospitalares em autênticas unidades de cuidados paliativas, como também constitui um perigo enorme para a vida dos profissionais que neles labutam todos os dias.
Discursando na presença da nova ministra de Saúde, Mário da Silva revela que a organização que dirige defende a realização de um estudo geral de saúde, com a participação dos parceiros nacionais e internacionais e dos peritos em matéria no sentido de debater de forma franca e descomplexada os graves problemas da saúde publica guineense.
Silva afirma que a nomeação de Magda Nely Robalo (antiga representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em países como África do Sul, Gana, Namíbia, Zâmbia), para dirigir o sector de saúde, suscitou uma enorme esperança nos guineenses, pela sua qualidade técnico profissionais, bem como a sua vasta experiencia nas organizações internacionais especializadas no domínio de saúde.
“Esperamos que consiga convencer o atual executivo, de que é membro, a eleger o sector da saúde como uma das suas principais prioridades e, consequentemente, elevar a dotação orçamental aos valores que permitam implementar o programa nacional de desenvolvimento sanitário”, afirmou Mário da Silva.
Durante a sua intervenção, a nova ministra da Saúde guineense, Magda Nely Robalo, realçou o trabalho desenvolvido, tendo alertado aos cidadãos que o governo não é único responsável pelo estado de saúde, mas também os profissionais da área têm responsabilidades na efetivação de um serviço de saúde eficiente e eficaz.
“Nós não vamos conseguir melhorar o sistema de saúde se cada enfermeiro, cada medico, cada administração e funcionário do sistema de saúde e do sector que apoia o sistema de saúde não se sentirem responsáveis, não prestarem contas e não sentirem que têm um poder de vida ou de morte sobre as vidas das pessoas”, vincou Nely Robalo.
Para a governante quando se diz que a junta médica é um sistema que está corrupta, que favorece as pessoas que menos precisam, não é o ministro ou primeiro-ministro, é a comissão da junta que é responsabilizada.
Licenciada em medicina, pós-graduada em saúde pública e medicina tropical, Nely Robalo, chamou atenção aos profissionais de saúde para adotarem a cultura de fazer um trabalho bem feito para edificação de um verdadeiro serviço nacional de saúde no país.
O relatório temático sobre o direito à saúde na Guiné-Bissau tem como objetivo interpelar as autoridades nacionais acerca da periclitante situação do direito a saúde e a necessidade de adotar medidas mais eficazes para sua concretização.
Para a elaboração deste relatório, a LGDH adotou uma metodologia com base em um processo de auscultação participativo que incluiu os diferentes atores chaves, nacionais e internacionais que atuam no domínio de saúde.

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